quarta-feira, 14 de julho de 2010

:: Varejo brasileiro mais forte do que o norte-americano ::

Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE, apresenta números de maio e aponta que o desempenho do setor no País foi superior ao das principais economias do mundo.

Os resultados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, referente ao mês de maio, foram divulgados nesta terça-feira, 13. O trabalho apontou um crescimento bastante positivo nas vendas do varejo brasileiro em relação ao mesmo período no ano passado. Com um crescimento de 10,2%, o segmento registrou um movimento com índice superior ao desempenho nas principais economias do mundo. Nos Estados Unidos, as vendas do varejo cresceram 6,5%, enquanto nas regiões da zona do Euro a alta foi de 0,6% em relação a 2009.

Para explicar a expansão do mercado de varejo - que já acumula crescimento de 11,5% sobre os primeiros cinco meses de 2009 - executivos da GS&MD - Gouvêa de Souza, consultoria especializada em varejo e distribuição, analisaram os resultados. No mês de maio, os segmentos mais dependentes de crédito tiveram alta mais acentuada nas vendas. Esse movimento, na opinião Luiz Góes, sócio-sênior e diretor da GS&MD, decorre de uma clara melhora no cenário macroeconômico nacional.

"Setores como veículos, móveis/eletroeletrônicos e materiais de construção tiveram um baixo desempenho no início de 2009, por conta do reflexo da crise financeira global no Brasil. Neste ano houve um crescimento mais acelerado desses segmentos, mesmo com o fim da isenção de IPI para várias categorias", comenta Góes.

Dentre os setores mais dependentes de crédito, destaca-se o de móveis e eletrodomésticos, com alta de 19,5% na comparação anual. Embora abaixo dos 22,4% do mês anterior, a expansão é expressiva. "Se por um lado houve o fim do IPI reduzido, por outro, a Copa do Mundo impulsionou a venda de aparelhos de TV e manteve o setor muito aquecido", explica.

Outros destaques são o setor de equipamentos e materiais de escritório, informática e comunicação, com alta de 28,7%, e o de materiais de construção que, com uma expansão de 19,9% no último mês, garantiu crescimento por sete meses consecutivos, consolidando sua recuperação depois de um 2009 bastante ruim para o segmento.

Quem também apresentou grande crescimento foi o setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo - que possui a maior participação no varejo - com uma expansão de 8,2%. Embora a performance tenha sido um pouco abaixo da média do mercado, ainda assim respondeu por 38% da taxa geral de expansão do varejo brasileiro no mês de maio.

Período pós-Copa
Em relação às previsões para este exercício, Góes afirma que, como a base comparativa é a do ano passado - momento em que o mercado estava mais fraco -, ainda não dá pra fazer previsões fortes em relação ao varejo em 2010. Ainda assim, diz, é possível saber que seu crescimento fechará acima do PIB, o que evidencia o ótimo desempenho do segmento.

"Para o período pós-Copa do Mundo, a expectativa é que continue tendo crescimento, mesmo que num ritmo menos intenso. Essa queda se deveria ao fato de a base de comparação se referir ao segundo semestre de 2009, período no qual a economia brasileira já estava indo muito melhor", explica.

Mesmo assim, a GS&MD mantém a projeção de um cenário muito positivo para o varejo brasileiro em 2010. "A alta dos juros e a própria base de comparação mais forte farão com que o varejo cresça mais moderadamente nos próximos meses. Ainda assim, mais uma vez o setor terá uma expansão por volta de 10%, bem acima do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, com destaque para os bens duráveis", completa Góes.

Fonte: m&M on line.

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