São Paulo dará uma chance à publicidade de rua, extinta desde que a Lei Cidade Limpa passou a vigorar – há três anos. O primeiro prédio a abrigar anúncios é o Copan, um dos principais cartões-postais da cidade. E a ação só será possível graças a um artigo contido na Lei, que permite publicidade em "melhorias urbanas, ambientais e paisagísticas".O Artigo 50 nunca foi utilizado, o que torna o Copan estreante do artifício, segundo a diretora da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) Regina Monteiro – a responsável, inclusive, pela criação da Lei. Segundo ela, a expectativa é que essa primeira publicidade sirva como estimulante para que outros prédios históricos sejam recuperados com ajuda de anunciantes.
O Copan
O Copan foi projetado por Oscar Niemeyer e Carlos Lemos e sua construção ocorreu entre 1951 e 1966. Mesmo sendo tão antigo, o edifício nunca viu sua fachada passar por algum tipo de manutenção. Isso resultou na oxidação da ferragem do quebra-sol de concreto, que expandiu e agora provoca queda de cimento e pastilhas.
De acordo com Regina, o uso de publicidade como fonte de renda para o restauro demorou por culpa dos próprios anunciantes. "O mercado publicitário está muito guloso", disse, em referência ao tamanho dos anúncios oferecidos. O Copan chegou até a recusar algumas ofertas. "Queriam colocar uma peça que cobria quase toda a fachada. Era ostensiva demais, dava para ver da Lua. Assim não passa."
Mas a "gula" faz sentido. A fachada do edifício tem 45 mil m2 – o tamanho de cinco campos de futebol. Segundo Rafael Nasser e Silva, da Refix, empresa especializada nesse tipo de obra, o custo do restauro varia entre R$ 35 milhões e R$ 40 milhões. "Se o anúncio não tiver certo porte, não dá para pagar uma reforma com esse valor. Publicitários querem retorno", afirma Silva.
Artigo desconhecido
Uma das razões para o Artigo 50 nunca ter saído do papel é o próprio desconhecimento. Até mesmo o diretor do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) – responsável pela recuperação – Rafael Schmidt, disse não saber da possibilidade. "Só soube que podia usar publicidade porque moro no Copan e ouvi isso numa reunião de condomínio", disse.
Mas, como cada projeto precisa ser aprovado pela Comissão de Proteção Urbana, sem qualquer critério, há o temor de que ocorra em São Paulo o mesmo que em Barcelona, na Espanha. "Lá, a lei foi desvirtuada. Tem tanto anúncio nos prédios históricos que não dá para ver a fachada das casas do Gaudí", declara Silva.
As informações são da Folha de S.Paulo
Redação Adnews
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